Depois da sugestiva imagem montada por David Coverdelle Roth, reunindo Raulzito e o The Who, a noite de sábado (30/1) foi o momento de conferir se a dobradinha dava certo no plano musical, que é o que mais interessa.
E posso garantir, depois da farra no Dubliners do Porto da Barra, fiquei convencida de que nem tudo está perdido na cidade vendida como capital carnavalesca.
Não só as mobílias do rock’n’roll baiano (entre as quais me incluo) foram bater ponto no encontro da Arapuka e Coveiros do Cover, turistas gringos e uma moçada bem jovem curtiram a noite rocker.
+ + + Toca Raul!
Passando pela porta, uma galera desavisada pirou ao saber da proposta do “Toca Raul! Toca The Who!”. As meninas entraram logo e ficaram de sinalizar aos caras pelo celular se o show começaria antes de encontrarem o resto da turma. Eles chegaram a tempo, arrastando mais amigos, fãs de Raul e da banda dos finados Keith Moon e John Entwistle.
Marcos Clement (guitarra e voz) abriu a noite. Acompanhado de Jerry Marlon no baixo e Guiga Blues Rock na batera (uma formação power trio da Arapuka), ele começou a desfiar as pérolas mais dançantes de Raul Seixas.
O pub inteiro parecia saber de cor todas as canções. O coro deu um gás a mais ao incansável Marquinhos, que na noite anterior estava no maior agito de produção da volta do Camisa de Vênus, mas não dava sinais de cansaço.
+ + + Toca The Who!
Na sequência, era a hora de descobrir se o The Who tinha mesmo força na terra de Raulzito. Jerry pegou a guitarra, Marcão Botelho assumiu o baixo e David, o microfone principal.
Os Coveiros iniciaram um set só da banda britânica. E não é que o coro continuou na mesma intensidade? Rolou Substitute, I Can’t Explain, The Kids Are All Right, Summertime Blues, Pinball Wizard e a galera cantando junto!
A empolgação foi tanta que um rocker das antigas puxou o microfone de Clement com pedestal e tudo para amplificar as vozes da platéia. De quebra, o fio do microfone de David ficou enrolado. O som não parou. Coverdellemesmo cantou na beira do palco até o rolo ser desfeito.
Pausa para Marquinhos, Jerry e Guiga, que tocaram nas duas bandas, tomarem um ar. Na parte externa do Dubliners, o céu com lua cheia e as conversas também cheias de empolgação, com direito a comentários sobre farra do dia anterior, no ótimo show do Camisa.
+ + + Toca mais...
Em mais um set de Raul Seixas, as canções poéticas e críticas de Raul, como Ouro de Tolo e outras baladas com longas letras continuaram a ser cantadas pela platéia empolgada.
Os Coveiros voltaram e destilaram um pouco do repertório punk e pós-punk. The Clash, Ramones (KKK, que David dedicou a Anne Clement), Sex Pistols, Talking Heads, The Jam... colocaram todos para dançar.
O Koyote Miguel Cordeiro foi chamado ao palco e relembrou em grande estilo um velho hit do Velvet Underground. Ele fez uma versão de Sweet Jane explorando os vocais ásperos, numa performance de ambiência hard.
...Surpresa!
Ainda teve um pouco de revival do rock baiano dos anos 80, com Você Não Pode se Calar, da antiga banda de Jerry, a 14º Andar. A platéia pegou rápido o refrão da canção composta por Hélio Rocha e depois continuou na carga com a versão mix de O Adventista (Camisa)/I Bellive (The Buzzcocks).
A surpresa da noite foi um cover de improviso de Baba O’Riley. A platéia pediu e os Coveiros tocaram pela primeira vez a pérola que abre o clássico Who’s Next.
Essa já entrou para o repertório, galera, e vai rolar no próximo show do Dubliners, previsto para março...
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31 de janeiro de 2010
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Tati, maravilhoso relato do show de sábado! Adorei o título!!! kkkkkkkkkk
ResponderExcluirkkkk, além de Marcos Clement, as crianças estavam na platéia...
ResponderExcluirPerfect Tati!!!!!!!
ResponderExcluiro rocker das antigas citado aí sou eu e fiz o que fiz porque estava com a alma impregnada do espírito do bom e velho rock and roll...mas não posso deixar de lado também o estímulo dado pelo excelente uísque servido numa mesa da casa...hehehehehe...
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